quarta-feira, 16 de setembro de 2009
Olimpíadas no Rio: Se maquiar, estraga
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Manhã Transfigurada não vale uma tarde
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
Tempos de Paz é a catarse teatral nas telas do cinema

“Se você me fizer chorar em 10 minutos, você fica no Brasil”. Essa é a condição que o ex-torturador e agente de imigração Segismundo, intepretado por Toni Ramos, dá ao recém-chegado polonês Clausewitz, Dan Stulbach, para que ele fique no país. O encontro vai muito além da aprovação de um passaporte. Clausewitz chega falando um português fluente e com o passaporte declarando-se agricultor, mas sem um único calo nas mãos. Confundido com um espião nazista, o polonês é levado ao agente de imigração e encontra Segismundo atormentado com a idéia de ser perseguido por seus torturados, já que naquele dia foram libertados os presos políticos acusados de comunismo pelo governo Getúlio Vargas, logo após o final da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
Cansado de ouvir histórias da guerra e com um coração de pedra, Segismundo pede que Clausewitz lhe emocione. Desiludido com a profissão de ator, que tinha antes da guerra, Clausewitz tenta encontrar as palavras exatas para explicar o que sofreu. Enquanto isso, Segismundo abre seu coração e conta o que fez de pior com os presos políticos durante a guerra.
É justamente nesse momento que o teatro entra em cena. Em um diálogo intenso e emocionante, Dan Stulbach e Tony Ramos dão uma aula de interpretação, transpondo para as telas o melhor da tragédia grega, a catarse teatral. Para retratar a guerra, não foi preciso trazer as cenas típicas de corpos magérrimos, com marcas de sangue e dor, mas a dor da tragédia é expressa em palavras, em gestos, em diálogos. Do outro lado do Atlântico, o filme mostra que o Brasil , que estava livre dos bombardeios, não podia dizer o mesmo da tortura no período getulista. Envolvente até o final, Tempos de Paz sai do senso comum dos filmes de guerra e mostra a humanização de um ex-torurador, que sempre cumprindo ordens, esqueceu de sonhar. Os dois atores fizeram somente transpor o sucesso da peça de teatro "Novas Diretrizes em Tempos de Paz", de Bosco Brasil.
As minhas lágrimas penderam naturalmente, efeitos da emoção de ver um filme brasileiro com tão poucos recursos visuais e com tanta densidade interpretativa, sob a batuta de Daniel Filho. Vale a pena assistir.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Tinha de ser esse filme
É lá que Harvey encontra Kate pela primeira vez. Ela estava fazendo uma pesquisa com os passageiros. Ele acabava de chegar dos Estados Unidos, quando ela lhe perguntou se podia responder um questionário. Pior pergunta para se fazer para quem está com jet lag ou coisa parecida; "Estou cansado", respondeu.
O músico estava lá para o casamento da filha Susan. Distante de sua cria, ele perdeu o posto para o segundo marido de sua esposa, Brian, a ponto de Susan convocar o padrasto para levá-la ao altar. Com problemas no trabalho, Harvey mal teria tempo de assistir à cerimônia e muito menos para ficar para a festa de casamento. Tinha de voltar para os Estados Unidos para produzir jingles de comercial.
Um trânsito alucinante, mais para Nova Iorque que para Londres, o faz perder o vôo. Consequentemente, o emprego foi embora. Para afogar o péssimo dia, Harvey entra no bar do aeroporto e pede um Johnnie Walker. Abelhudo, percebe que a pesquisadora com quem tinha sido grosso no dia anterior estava lá. Pede desculpas à Kate e insiste em engrenar uma conversa. Tímida, atormentada pelos constantes telefonemas da mãe, ela desconversa. Por pouco tempo. Ele não desiste e acaba conquistando a moça.
Harvey a segue até o metrô, a acompanha ao curso de redação e a uma longa caminhada ao longo do Tâmisa. Ao fundo, lugares turísticos como o Big Ben, a Golden Bridge, o London Eye, roda gigante imensa que dá olhos a Londres. O casal desfruta da ampla calçada no lado Southwark, a parte mais pobre e cultural de Londres, onde ficam o Shakespeare´s Globe, o Tate Modern, o Aquarium e principalmente os artistas de rua. Kate e Harvey até param para curtir um grupo de rock adolescente. Uma batida para lá de típica na terra dos Beatles.
Kate se entrega ao carisma de Harvey. Ambos, deslocados no ambiente em que vivem, se encantam com a conversa de uma tarde toda. O papo se estende até á noite, na festa de casamento de Susan. O filme focaliza o charme da conquista. Nisso, Harvey é mestre... "Is this a hopeful signal", repete incansavelmente o conquistador otimista quando Kate dá um sorriso ou demonstra que vai ceder. As trapalhadas prosaicas do casal arrancam risos do público... E meus também. Afinal, valeu a pena!
Budapeste é Mesmo Amarela
Sofisticado, o filme Budapeste, dirigido por Walter Carvalho, capta a essência do livro de Chico Buarque, que lhe deu o nome. A disputa entre a fama e o anonimato se revela no atormentado José Costa (Leonardo Medeiros), um ghost writer (escritor fantasma), que divide-se entre Rio e Budapeste, entre a esposa e a amante, entre o português e o húngaro.
No Brasil, Costa não passa de um colecionador de sucessos anônimos. Ele dá fama a um turista alemão que lhe pagou para escrever um livro autobiográfico, mas esconde sua profissão até mesmo da esposa Vanda (Giovanna Antonelli), uma apresentadora de telejornal. Ela questiona incessantemente de nunca ter visto uma obra com o nome do marido. O apagamento da autoria incomoda Costa.
Convidado para um congresso internacional de ghost writers, ele ruma a Budapeste e se apaixona pela educadora de doentes mentais, Kriska (Gabrilla Hámori). “O húngaro não se aprende nos livros” diz a moça ao encontra-lo pela primeira vez em uma livraria, enquanto ele repetia frases de um livro didático. O desafio do autor-fantasma é aprender a nova língua e depois escrever. Seu mergulho é tão intenso que passa a atuar como ghost writer também em Budapeste. Mesmo do outro lado do Atlântico, o dilema de não ser reconhecido pelo que escreve e assistir o sucesso de seus livros da platéia o revolta. Durante outro congresso de ghost writers, reclama a autoria de um livro de poesias, mas volta ao Brasil as pressas por causa do passaporte vencido. Depois de um tempo vendo que até o seu sócio tinha virado um autor de sucesso, recebe um telefonema o convidando a retornar à Hungria: tudo por causa de seu livro, Budapeste.
Dialogando internamente, José Costa narra trechos da história, fazendo o filme caminhar nos mesmos passos lentos do livro. A câmera se desloca lentamente, procura ângulos dignos de cinema francês.
Carvalho apresenta a Budapeste amarela de Buarque com muita sensibilidade, usando e abusando da paisagem da cidade repousando ao longo do Danúbio. No mesmo rio em que o autor coloca a estátua de Lênin, partida em quatro grandes pedaços, deitada em uma balsa. O comunismo navega rio abaixo. O antigo regime vira de ponta cabeça ao passar pela ponte. A passagem não está no livro, mas se encaixa com perfeição no enredo. A fotografia é intensa. Não podia ser diferente. Essa é a primeira vez que Carvalho atua em vôo solo como diretor. Antes, tinha co-dirigido Cazuza, o tempo não pára, ao lado de Sandra Werneck, mas tem uma carreira longa como diretor de fotografia, que inclui filmes como Notícias de uma guerra particular, de João Moreira Sales, e Carandiru, de Hector Babenco. Chico Buarque também dá o ar da graça. Aparece no aeroporto de Budapeste com um sorriso amarelo só para pedir um autografo à José Costa.... ou melhor Kosta Josze... A inversão do nome é a inversão do personagem que passa de ghost no Brasil para autor na Hungria.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
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sexta-feira, 22 de junho de 2007
Multilinguagem, multimeios para multirepórteres.
Com tantas possibilidades de trabalhar o texto jornalístico, as redações tradicionais vão alterando o seu modus operandi, pautando-se pela relação usuário, web e jornalista. A redação do Daily Telegraph, por exemplo, com uma grande tela da homepage do site do jornal mostra aos jornalistas o que está despertando mais o interesse do leitor e se trabalha com um olho na matéria e o outro no site. Além disso, as novas tecnologias também permitiram que as redações ficassem cada vez mais antenadas na concorrência, no que está sendo publicado na sua cidade, no seu país e no mundo. Muito além do que poderia atingir um jornal impresso, o website tem uma abrangência global, pode ser lido, criticado, comparado, o que acaba influenciando na produção de conteúdo.
A relação novas tecnologias e redação não param por aí. Uma redação como a da revista Superinteressante desenvolveu um ARG (Jogo de Realidade Alternativa) para explicar aos seus leitores como funcionava esse jogo, modificando a relação leitor/revista, leitor/leitor e leitor/conteúdo. Os leitores passaram a interagir com o conteúdo da revista a partir da internet, os jornalistas, além de conteúdo ajudaram a produzir ações e incentivar o relacionamento entre seus leitores, que se comunicavam pela web, e entre estes e o conteúdo, já que os leitores tinham de resolver enigmas para seguir adiante no jogo. Em vez de explicar em texto, as novas tecnologias permitiram a construção de uma vivência interativa do conteúdo. A redação montou um cenário na realidade para dar suporte ao jogo virtual, a ponto dessa produção virar notícia dos jornais mais importantes do país. O acontecimento: uma manifestação de árvores contra a atuação da Arkhos Biotec, empresa fictícia criada para o ARG, que teria intenções de comprar a Amazônia. A manifestação, que aconteceu em visita do presidente Bush ao Brasil, foi tomada como verdadeira por diversos veículos de comunicação e acabou com um entusiasmado discurso do senador Arthur Virgílio no Congresso Nacional, repudiando a ação da empresa. A ficção do jogo virtual virou notícia.
Os jornalistas não pertencem mais exclusivamente a um meio, impresso ou online, escrevem em várias plataformas, utilizam diferentes ferramentas para produzir conteúdo. Ao mesmo tempo que são autores dos textos impressos, atuam como cinegrafistas, fotógrafos, realizam seus próprios podcasts, são multiprofissionais. (Adriano Sanches, Bruno Lofreta, Danilo Dainezi, Eliane Anjos e Frederico Antonelli)